Igreja Matriz
Igreja Paroquial
Abadia de Espinho
Torre de Gandufe
Antas do Outeiro e de Espinho
Complexo Rupestre da Quinta da Ponte
Orca dos Braçais
Fonte da Ricardina
A MEDIEVAL TORRE DE GANDUFE…
É nos finais do séc. XII que na Europa Ocidental surgem as Domus Fortis. Em Portugal é no Norte e Centro que assumem maior expressão.
Implantadas nas zonas rurais, inspiram-se nas torres de menagem dos castelos. Exibindo elementos arquitetónicos fortificados, como seteiras e balcões com mata-cães, são residências senhoriais. São o sinal de afirmação de nobreza das linhagens secundárias que se afirmavam.
Arquitectonicamente, a planta característica é a quadrangular, com dois ou três pisos em madeira. A cada piso corresponderia uma ampla e única divisão. O piso superior destinava-se aos aposentos íntimos dos senhores, o intermédio seria sala de visitas e o térreo armazém. O acesso entre pisos fazia-se por escadas de madeira. A entrada, ao nível do primeiro andar, seria por escada de madeira que, em caso de perigo, seria recolhida, privando o piso térreo de abertura para o exterior. À sua volta desenvolvia-se a restante casa, em madeira.
Da Torre de Gandufe resta apenas parte das paredes Norte e Oeste. Vêm-se os alicerces das duas paredes já desaparecidas. A sua destruição perde-se nas brumas do tempo. Nas Inquirições de D. Afonso III lê-se que Petrus Suierii afirmou que Gondufi era terra pertencente a Menendo Bofio e que nessas terras não entrava o mordomo nem pagava foro ao rei. Este documento não elucida quanto à posse, nem quanto a existência da torre já nessa altura…
Alvo de intervenção de conservação e restauro, também o largo envolvente foi recentemente requalificado, salientando-se o “desenho” da planta do edifício no solo.
Coordenadas geográficas
40º 33’49.98’’
7º 48’12.66’’
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Ponte Romana do Tinto
Sobre o Rio Videira, pequeno riacho que bordeja a localidade de Gandufe, ergue-se uma ponte, em aparelho granítico, de um só arco, de volta perfeita, de tabuleiro convexo e com guardas também do mesmo material.
A sua configuração e aspeto geral sugerem que seja romana, pese embora não apresente as típicas pedras almofadadas – atente-se, contudo, que é de dimensão bastante reduzida.
As populações locais atribuem-lhe romanidade; os arqueólogos não rejeitam essa cronologia, dada, inclusive, a probabilidade, forte, de vias romanas, de nível secundário, por ali passarem.
À primeira vista, aquela obra de arte não terá tido, no passado, significativas obras de restauro, nem qualquer documento escrito se refere a tal; teve-as recentemente, designadamente com o rejuntar dos espaços entre os silhares à volta do arco, do arco e das guardas. O tabuleiro, aparentemente, nunca foi mexido.
Talvez que a sua preservação e persistência temporal se devam, certamente, ao caudal do rio que, mesmo em anos de maior volume de águas, não a terá submergido ou provocado assoreamentos capazes de lhe provocar qualquer dano. Hoje, vê-se mais protegida, pois a circulação passou a fazer-se por via alternativa, ao lado.
Um bem patrimonial de relevo para a história local.
Coordenadas geográficas
40°33'41.90"
7°48'50.12"
ORCA DOS PADRÕES… SEPULCROS D’ OUTRORA
A Orca dos Padrões é um dos dois monumentos megalíticos, em granito da região, que persistiram no nosso concelho. Situa-se bastante perto da povoação de Vila Nova de Espinho. Integra uma malha megalítica alargada, pois ao lado temos a Orca da Cunha Baixa, as já desaparecidas Orca dos Braçais, no vizinho Outeiro de Espinho, Orca de Gandufe, Orca de Alcafache e a Anta da Senhora do Castelo, esta junto a Mangualde. E nas imediatas terras de Senhorim a Orca dos Amiais, a Orca da Carvalhinha, a Orca da Fonte do Alcaide e a Orca dos Palheiros.
Trata-se de um túmulo onde ainda se percebe o tumulus (mamoa), deveras diluído, e que teria um diâmetro ovalado de cerca de 20m no eixo menor. Já só apresenta alguns esteios a delimitar o corredor e alguns da câmara, nomeadamente o de cabeceira. Já não exibe cobertura.
As escavações mais recentes, antecedentes à acção de conservação e restauro, nos anos finais da década de 90 do século XX, determinaram uma câmara de tipo poligonal alongada, tendencialmente rectangular, com cerca de 2,80m de largura, por 3,20m de comprimento e 2,30m de altura. O corredor, bem diferenciado da câmara em alçado e planta, mede cerca de 3,80m, por uma altura de 1,60m, por 1,90m de largura junto à câmara, estreitando até 1,20m à entrada.
Os materiais exumados apontam, para além da ocupação neolítica, reutilizações no Calcolítico Final /Bronze Inicial. Foi construído na transição do IV para o III milénios a. C.
A Orca dos Padrões está integrada, hoje, em plena vinha da Quinta dos Carvalhais, da Sogrape, emprestando àquela paisagem uma beleza extraordinária!
Coordenadas geográficas
40°33'14.69"N
7°46'10.27"W
Fonte de Ricardina
Camilo Castelo Branco eternizou a velha e esquecida fonte das imediações da Igreja de São Pedro, na Abadia de Espinho. Adquiriu, inclusive, denominação própria: Fonte de Ricardina. De acordo com a novela, aquela fonte foi cenário de fundo dos amores infelizes de Ricardina Pimentel e de Bernardo Moniz. A feroz oposição do orgulhoso abade de Espinho, Leonardo Botelho de Queiroz, miguelista ferrenho e homem vingativo, pai de Ricardina, contrariou a paixão de sua filha e de Bernardo, o jovem estudante de leis, liberal convicto e filho do humilde Silvestre da Fonte, residente da povoação vizinha de Espinho.
A existência ficcional dos personagens e da narrativa ganha vida na presença dos sítios referidos e descritos na novela: a casa de Silvestre da Fonte, de aparelho granítico seco e de janelas manuelinas, a Igreja da Abadia de São Pedro, a Residência Paroquial, e a fonte, escondida no passal. Junto à estrada para o Outeiro observamos ainda uma outra fonte, de traça joanina e que, erroneamente, muitos supõem ser a de Ricardina. Também, naquela época, era abade de Espinho Caetano de Brito e Faro, de Lobelhe.
Coordenadas geográficas
40°33'32.72"
7°47'34.49
IGREJA de SÃO PEDRO DE ESPINHO
Cada tempo deixa a sua marca, o seu testemunho próprio. O século XVIII prodigalizou em imóveis de monumental beleza estética. Este é, sem sombra de dúvidas, o século das “novas” igrejas que pululam as várias paróquias, as várias cidades, vilas e aldeias. Também as capelas devotadas a santos e santas milagreiras, em ermos ou no interior de povoações, nascem construídas de raiz – ou substituindo antigos templos – naquele século.
É em terras de Espinho, freguesia prenhe de história testemunhada nos seus vestígios materiais: Neolítico, Idade do Bronze, época Romana, Idade Média…, que fica a igreja de São Pedro. Templo matriz da paróquia de São Pedro de Espinho, implanta-se em Abadia, nome que lhe advém por ser aquela igreja uma abadia.
A sua linha arquitectónica inscreve-se num barroco simples, sem grandes pretensões estéticas, de notas idênticas à feição estilística que grassava pelo território, naquela época. Contudo, as portadas e janelas de exterior evidenciam um requinte decorativo excepcional. A fachada principal, exibindo óculo com vitral e um pórtico alpendrado, é acompanhada por torre sineira de quatro ventanas, seccionada em dois lances, terminando em coruchéu típico de finais do século XVIII.
Alvo de várias reconstruções ao longo dos séculos, a requalificação do ano de 2017 colocou a descoberto uma capela lateral com lápide que a data do século XVI.
Talvez tenha sido a sua beleza que motivou Camilo Castelo Branco a escrever sobre o amor proibido de Ricardina, junto à fonte que lhe é vizinha.
Coordenadas geográficas
40º 33’35.58’’
7º 47’32.80’’
OS vestígios romanos de Vila Nova
Percorrendo as várias localidades que constituem a freguesia, diversos vestígios arqueológicos das várias épocas históricas persistem, testemunhando a fixação das pessoas ao território.
Do megalitismo à idade dos metais, foi a romanização que mais marcas deixou. Desde assentamentos, que podem ir de simples casais a alguma quinta de maior dimensão, a alguns marcos miliários, para medir as distâncias entre cidades, ao longo das vias, precursores dos marcos kilométricos de agora, é na aldeia de Vila Nova que se verifica a maior concentração de vestígios romanos.
Certamente, pela abundância e variedade de vestígios: colunas, com base, fuste e capitel, mós manuárias, pias, cerâmica de construção, de utilidade diária e de ir á mesa, ali deve ter havido um forte aglomerado populacional – um vicus, talvez – que, pela alta idade média, deverá ter tido continuidade, dada a presença, à sua volta, de variadas sepulturas escavadas na rocha.
Fazendo lembrar um marco miliário (?), anepígrafo, neste caso, encontramos esta singela coluna que suporta uma interessante cruz com a imagem de Cristo em alto-relevo. Tem feição perfeitamente popular e desconhecemos a sua cronologia. Uma obra de real valor patrimonial.
Coordenadas geográficas
40º 32’53.23’’
7º 45’59.59’’
RESERVATÓRIO DE ÁGUA DE ESPINHO:
As conceptualidades contemporâneas de património determinam que dele faz parte tudo o que o Homem produz, faz, ou, simplesmente, toca com a vista. Neste âmbito, já não são apenas os monumentos arquitetónicos ou arqueológicos, mas também os objetos “desclassificados” do dia-a-dia; as coisas “anónimas” avolumam o conceito de Património Cultural.
A arqueologia industrial da água lega-nos alguns exemplares que povoam o nosso horizonte.
O reservatório elevado de água de Espinho ainda é parte ativa da nossa vivência, campeando na paisagem. Foi construído, em 1988, para servir as populações da freguesia de Espinho. A cuba é de 6 metros e tem capacidade para 250m³. A torre mede 25 metros de altura. Foi concebido como solução, enquanto se não fazia o abastecimento de água através da barragem de Fagilde.
Construído em 1988 para servir as populações da Freguesia de Espinho.
Coordenadas geográficas
40º 35’58.64’’
7º 47’26.13’’
Fonte de Gandufe
Construídas com o principal objectivo de permitir o fornecimento de água a pessoas e animais, assumem, muitas delas, um carácter extraordinariamente artístico, do ponto de vista arquitectónico.
Providas de uma ou várias bicas, a sua localização situa-se, preferencialmente, em locais abertos e de boa visitação pública. Ornamentando praças e jardins, assumindo variadas formas arquitectónicas e reveladoras de correntes artísticas e simbólicas, ao longo dos séculos, marcam presença assídua e essencial na paisagem urbana.
O exemplar que admiramos foi construído em 1880, na localidade de Gandufe. Saiu da generosidade e da criatividade de um engenheiro da companhia francesa que construiu a linha da Beira Alta, que ligou o litoral a Espanha.
Coordenadas geográficas
40°33'52.52"
7°48'23.67"
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